Bienal revela uma Bahia fértil em música erudita

650x375_1357598A Bahia é tradicionalmente um celeiro de compositores quando o assunto é música popular ou de concerto. A escolha de peças de  nove compositores de diferentes gerações da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia (Emus/Ufba) para a XX Bienal de Música Brasileira Contemporânea  ratifica a excelência dos compositores da terra, que atualmente colhem os frutos de sementes plantadas há quase 60 anos.

Na música erudita, o celeiro começou a tomar forma a partir da atuação de Edgar Santos e do compositor Hans-Joachim Koellreutter, que criaram os Seminários de Música da Bahia, em 1954, e se concretizou com o trabalho do Grupo de Compositores da Bahia, encabeçado pelo professor Ernst Widmer.

“O estado se tornou um dos grandes núcleos de formação musical do País e o principal do Nordeste. Em número de participantes na Bienal, só está atrás de Rio de Janeiro e São Paulo”, afirma Flavio Silva, responsável pelo evento realizado pela Funarte de amanhã a 6 de outubro no Rio de Janeiro.

Este ano, a seleção de peças para a XX Bienal de Música Contemporânea foi feita de duas formas. Foram escolhidas 39, por 67 compositores de participação expressiva na Bienal. Destes, quatro representam a Emus: Paulo Costa Lima, Wellington Gomes, Fernando Cerqueira e Agnaldo Ribeiro.

A segunda forma de seleção foi por concurso, que recebeu 534 obras e aprovou 33. Cinco das peças selecionadas vêm de compositores de formação na Bahia: Pedro Augusto Dias, Guilherme Bertissolo, Juliano Valle, Paulo César Santana e Danniel Ferraz.

“Os três últimos ganharam este prêmio nacional ainda enquanto estudantes de graduação. É uma situação única no Brasil”, diz o compositor e professor  Paulo Costa Lima.

Tradição

Ele avalia que a Emus já formou mais de 100 compositores e 1500 obras. “A escola existe como um testemunho de uma tradição de vanguarda, invenção e criatividade”, completa Costa Lima.

Para o também professor Wellington Gomes, que este ano participa pela 11ª vez da bienal, o prazer do trabalho que desenvolvem está tanto em ver as produções de integrantes da Emus executadas mundo afora, quanto na manutenção do caráter inovador da casa.

“Essa energia é uma raiz da escola e continua firme. É uma escola que foi inovadora desde o começo e até hoje mantém esse espirito”.

O caráter inovador da escola foi o que atraiu o gaúcho Guilherme Bertissolo para fazer mestrado e doutorado na Bahia. Aqui ele  encontrou  o terreno aberto para a articulação entre o saber local e a cultura contemporânea.

“Na Bahia, a dicotomia entre as vanguardas europeias e a cultura popular foi superada desde o começo da escola, sempre houve um diálogo com a musicalidade da capoeira, do candomblé”, diz o hoje professor da Emus/Ufba. Aos 29 anos, ele compõe peças a partir de conceitos extraídos da capoeira regional de mestre Bimba.

Juliano Valle, que participa da bienal pela segunda vez, entrou no curso de composição com olhos voltados para o mercado de música popular, no qual já atuava como pianista.  “Fui na expectativa de trabalhar como arranjador. Me deparei com um cenário totalmente diferente. Foi um choque, mas acabei me identificando com o curso e dividindo minha cabeça entre música popular e erudita”, diz o jovem de 26 anos, que se inspira nos trabalhos dos professores Wellington Gomes, Paulo Costa lima e Agnaldo Ribeiro.

Para Heinz Karl Schwebel, atual diretor da Emus, a renovação é um aspecto importante para a escola. “A gente se surpreende com a vitalidade dos alunos, que têm um senso de empreendedorismo muito forte. Eles se promovem, concorrem em editais, estão sempre buscando maneiras de produzir numa área tão difícil”.
Além das possibilidades abertas pela carreira acadêmica, Guilherme Bertissolo acredita que o futuro da área está na colaboração.

“O trabalho da geração mais nova é buscar espaços, levar a produção para fora da universidade,  em contato maior com a sociedade. Vejo uma série de grupos e pessoas se dando conta de que a colaboração é uma forma de fazer a composição andar. Aqui na Bahia estamos conseguindo isso com a Oficina de Composição Agora (OCA)”.

Fonte: Jornal A Tarde

http://atarde.uol.com.br/cultura/musica/materias/1536382-bienal-revela-uma-bahia-fertil-em-musica-erudita

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Estreia de Opaxorô

XX Bienal de Musica ContemporaneaDo dia 28 de setembro ao dia 03 de outubro  de 2013 estarei no Rio de Janeiro para assistir a première da minha peça ‘Opaxorô’. Serão dias de muitos ensaios, concertos e confraternizações.

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Opaxorô é premiada!

Opaxorô, meu quinteto para Flauta, Clarinete, Violino, Violoncelo e Piano foi contemplado no “Prêmio Funarte de Composição Clássica 2012”.
A obra será apresentada em concerto público durante a XX Bienal de Música Brasileira Contemporânea, no segundo semestre de 2013, no Rio de Janeiro.
Estarão representando a Bahia  na XX Bienal de Música Brasileira Contemporânea os amigos compositores Danniel Ferraz, Juliano Serravalle, Guilherme Bertissolo, Pedro Augusto Dias e esse que vos fala (escreve) Paulo Cesar Santana.

Divulgação Bienal

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Gantois é premiada!

Gantois, minha primeira composição para orquestra sinfônica é vencedora do  2º concurso de composição Prof. Antônio Fernando Burgos Lima.
Gantois surge da deformação de um excerto de uma das melodias mais famosas de Caymmi, “Oração a Mãe Menininha do Gantois”. A peça procura ambientar  o processo ritualístico inerente às festas de santo de um terreiro de candomblé, em particular o xirê.
A peça é dedica a Lindembergue Cardoso (in memoriam) e a Paulo Costa Lima.

OSBA Gantois

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1º CachoeiraDoc

Nesta sexta-feira dia 05.11.2010 terá início O 1º Festival de Documentários de Cachoeira – 1º CachoeiraDoc.
Na sessão de abertura, ao ar livre, será exibido Nanook, o esquimó (1922), do pioneiro Robert Flaherty, com acompanhamento musical executado ao vivo pelo Nanook Ensemble.
A trilha sonora foi especialmente composta para esta ocasião, onde tive a honra de fazer parte do time dos compositores responsáveis pala elaboração da trilha.
Para maiores informações: http://cachoeiradoc.com.br

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Stravinsky: o pai do Funk?

O processo de Dedução (ou derivação), tema discutido em aula ministrada pelo Prof. Compositor Paulo Costa Lima é o pano de fundo para fundamentação da análise que segue sobre a ótica dedutiva do Funk, tendo como fonte geradora A Sagração da Primavera. Clique aqui para ler na íntegra.

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Estréia de Colossus X Enigma

Na próxima terça-feira (30/06/09), excepcionalmente, o Grupo Genos de Pesquisa está promovendo a 4º Projeção Sonora de Música Eletroacústica Genos.

Serão executadas as obras de George Christian, Guilherme Bertissolo, Ráiden Coelho, Eric Barreto, João Milet Meirelles, Alexandre Espinheira e Paulo Cesar Santana.

Esse concerto é fruto da segunda edição do curso de Introdução à Composição Eletroacústica, na sua segunda edição promovida pelo Genos. Todas as obras são de participantes do curso.

A chamada de obras segue aberta. Confira a página das Projeções Sonoras de Música Eletroacústica no wiki do Genos.
Apareçam, participem.

OBS: Na sessão “Composição” encontra-se a peça Colossus X Enigma, que será apresentada na 4º Projeção Sonora de Música Eletroacústica Genos.

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